Fraudes online em Portugal: como reconhecer, evitar e reportar
SMS dos CTT, pedidos MB WAY no OLX, faturas falsas do PayPal, chamadas com a voz de um familiar. As tipologias mudam todos os meses, mas o guião é sempre o mesmo. Este guia reúne as fraudes mais frequentes em Portugal, os sinais que as denunciam e exatamente o que fazer — e a quem — se já caíste numa.
Burlas por SMS (smishing)
Mensagens em nome dos CTT, da Autoridade Tributária, do banco ou da MEO com um link para 'regularizar' algo. É a fraude mais comum em Portugal.
Ver burlas por SMS →Burlas MB WAY
Falsos compradores no OLX que pedem para 'aceitar' um pagamento, falsos pedidos de dinheiro e falso apoio ao cliente do banco.
Ver burlas MB WAY →Burlas de entregas (CTT)
SMS de encomenda retida, falsas taxas alfandegárias de dois euros e apps de rastreio falsas que instalam malware bancário.
Ver burla dos CTT →Burlas PayPal
Falsos avisos de pagamento, faturas fraudulentas e pedidos para pagar por Amigos e Familiares — que anula a proteção do comprador.
Ver burlas PayPal →Phishing por email
Mensagens que imitam bancos, serviços de streaming e serviços públicos para roubar credenciais.
Ver exemplos reais →Deepfakes e voz clonada
Falsos anúncios de investimento com figuras públicas e chamadas com a voz de um familiar a pedir dinheiro urgente.
Ver fraudes com IA →Roubo de identidade
Uso de dados expostos em fugas para abrir contas, pedir crédito ou contratar serviços em teu nome.
Ver proteção de identidade →Sete sinais de alerta comuns a quase todas
- Urgência artificial: 'a sua conta será bloqueada em 24 horas', 'última oportunidade'.
- Link que não corresponde ao domínio oficial — verifica sempre o endereço real antes de clicar.
- Pedido de dados que a entidade já tem: número de cartão completo, PIN, códigos de confirmação.
- Pagamento por método sem proteção: MB WAY para desconhecidos, transferência direta, criptomoeda, cartões-presente.
- Preço demasiado bom para ser verdade em anúncios de artigos usados ou viagens.
- Pressão para manter sigilo — 'não fale com ninguém sobre isto'.
- Contacto por um canal inesperado: o teu banco não te aborda por WhatsApp.
Nenhum destes sinais é conclusivo isoladamente, mas dois em conjunto — urgência e um método de pagamento irreversível — bastam para parar. Para treinar a deteção com casos reais, vê os exemplos de phishing e faz o quiz.
Fui burlado: o que fazer, por ordem
- 1
Contacta o banco imediatamente
Se houve pagamento ou partilha de dados bancários, liga para a linha do banco e pede o bloqueio do cartão e a tentativa de reversão. Nas primeiras horas ainda há hipótese.
- 2
Muda as palavras-passe afetadas
A partir de outro equipamento, e começa pelo email — é a chave que dá acesso a tudo o resto. Ativa autenticação de dois fatores.
- 3
Apresenta queixa
Na PSP, GNR ou online à Polícia Judiciária (Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime). O comprovativo é frequentemente exigido pelo banco para dar seguimento a um pedido de reembolso.
- 4
Reporta o incidente ao CNCS
Através do CERT.PT. Ajuda a que o site fraudulento seja bloqueado e a que outros não caiam no mesmo.
- 5
Reclama junto do Banco de Portugal
Se o banco recusar reembolso numa operação que não autorizaste, o Portal do Cliente Bancário aceita reclamações — o ónus da prova da autorização é da instituição.
- 6
Se saíram dados pessoais, envolve a CNPD
Sobretudo se a origem foi uma fuga numa empresa. Vê o guia de proteção de dados pessoais.
Como reduzir o risco
- Ativa autenticação de dois fatores por aplicação no email, banco e redes sociais.
- Usa um gestor de palavras-passe — além de eliminar a reutilização, não preenche credenciais em domínios falsos, o que trava o phishing antes de tu o detetares.
- Instala um antivírus com proteção anti-phishing, que bloqueia sites fraudulentos conhecidos.
- Verifica periodicamente se o teu email está em fugas no verificador de fugas.
- Se já tiveste dados sensíveis expostos, considera monitorização de identidade.
- Conhece os teus direitos: vê o guia de proteção de dados pessoais.
Contactos úteis em Portugal
- Polícia Judiciária — Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica: denúncia online de burla informática.
- CNCS / CERT.PT — reporte de incidentes de cibersegurança e sites fraudulentos.
- Banco de Portugal — Portal do Cliente Bancário, para reclamações contra instituições financeiras.
- CNPD — reclamações sobre tratamento indevido ou fuga de dados pessoais.
- Linha Internet Segura — 800 21 90 90 — apoio gratuito, sobretudo em situações que envolvam menores.
- DECO PROteste — apoio ao consumidor em litígios de compras online.
Perguntas frequentes
Fui burlado. Consigo reaver o dinheiro?
Depende do método. Em operações de pagamento não autorizadas, a lei coloca o ónus da prova no banco e prevê reembolso — mas se autorizaste a operação enganado, a recuperação é mais difícil. Em transferências MB WAY e criptomoeda, é quase sempre irreversível. Agir na primeira hora é o que mais pesa.
Onde apresento queixa de burla online em Portugal?
Na PSP ou GNR presencialmente, ou online à Polícia Judiciária através do formulário de denúncia de cibercrime. Incidentes técnicos (sites falsos, phishing em massa) reportam-se ao CERT.PT/CNCS. Para dados pessoais expostos, CNPD.
Como sei se um site de compras é falso?
Verifica a antiguidade do domínio, a existência de contactos reais e NIF, os métodos de pagamento oferecidos (só transferência ou cripto é bandeira vermelha) e a qualidade das avaliações fora do próprio site. Preços muito abaixo do mercado são o sinal mais fiável.
O meu banco pode ligar-me a pedir códigos?
Nunca. Nenhum banco em Portugal pede códigos de confirmação, PIN ou palavra-passe por telefone, SMS ou email. Se acontecer, desliga e liga tu para o número do verso do cartão.
Recebi um SMS suspeito mas não cliquei. Devo fazer alguma coisa?
Basta apagar e, se quiseres, reencaminhar para o serviço antifraude do teu operador ou reportar ao CERT.PT. Receber a mensagem não te expõe a nada — só o clique e a introdução de dados.
As burlas aumentaram em Portugal?
Sim, e sobretudo em sofisticação. O smishing em nome dos CTT e da AT, as burlas MB WAY em plataformas de artigos usados e, mais recentemente, fraudes com voz clonada por IA são as tipologias com maior crescimento reportado.
Verifica se já estás exposto
Quase todas as fraudes dirigidas começam com dados que já andam a circular. Vê em 10 segundos em que fugas o teu email apareceu.
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